A grande dissertação sobre símbolos não foi feita sem motivo. Pois, nesta força operativa dos símbolos, uma irradiação de energia psíquica, poderia estar a explicação do mistério para as intrigantes capacidades e atuações mágicas dos curandeiros. Jung descreve o símbolo como uma máquina psicológica que transforma em energia. E sobre os ritos dos primitivos, ele diz: Os ritos que envolvem objetos sacros permite reconhecer muitas vezes, com toda clareza, sua natureza de transformadores de energia. A magia dos curandeiros equivale para a moderna psicologia profunda, e para a cibernética, a uma operação com símbolos. A energia ou força mágica, como é chamada nas ciências ocultas, não serve ao curandeiro apenas para curar doenças. Esta é apenas uma das suas obrigações . Ele também tem a tarefa de se comunicar com os espíritos dos ancestrais, predizer o futuro por meio de um voo mágico e acompanhar as almas dos mortos. Além disto, tem de cuidar da manutenção da ordem natural, a fim de garantir as colheitas, por exemplo. O curandeiro é, de certa forma, um teórico da informação, pesquisador experimental da natureza, pesquisador experimental da natureza, meteorologista atuante, médico, futurólogo e agente planejador de sua tribo. E tudo isto numa única pessoa! Todavia, APESAR DA EVIDENTE DECADÊNCIA , o curandeiro continua sendo o personagem mais importante da tribo entre povos primitivos; sem ele a sobrevivência seria inviável. Em alguns povos, o cargo de curandeiro é hereditário, em outros o sucessor é recrutado por se candidatar espontaneamente, após passar por experiências visionárias, considerado como escolha feita pelos espíritos ou deuses. Mas, independentemente do processo de escolha, antes de assumir seu posto o curandeiro tem de passar por um longo e árduo aprendizado. A mântica, ou a arte da adivinhação e da predição do futuro, só é possível para quem dispõe de um canal informativo direto com o além, e está familiarizado com o trato dos espíritos. A morte mágica, o vôo mágico e o fogo mágico são, de certo modo, as três disciplinas básicas obrigatórias na formação de um curandeiro. A idéia da morte mágica é experimentar a morte de maneira concreta e real e também aprender a ver a si mesmo como esqueleto. Para povos nômades, o esqueleto é a base da vida, tanto humana quanto animal. A morte mágica sempre se trata de um renascimento , de uma renovação espiritual ou neo-nascimento. Aparece também nas doutrinas esotéricas dos budistas da Ásia Central e Oriental, no Grande Opus dos alquimistas e por ocasião da admissão na ordem secreta dos Rosa-cruzes. ____ Além de crer num reino espiritual do Além o curandeirismo cultiva ainda a fé na imortalidade e isto, de certa forma, já em épocas bem primitivas. Porém, Não imagina uma vida eterna no Céu, como a prometida posteriormente pelos Cristãos e pelo Islamismo. O Mito do Paraíso Perdido que deu origem a esta noção surgiu de outra maneira. Está ligada à evolução do consciente e ao desenvolvimento cultural dela corrente. O Vôo Mágico é a segunda disciplina básica no curso para curandeiro; é também denominado Grande Viagem, a ascensão do xamã à dimensão aérea e celestial. Para isto, eles usam a árvore dos curandeiros. Entre os nômades do hemisfério norte, e em nações indígenas, a árvore mais comumente usada para este fim é a bétula. É fincada no chão da tenda, com a ponta emergindo da abertura para a saída da fumaça. Conforme Bastiani que havia descrito em seu relato, a árvore é ornada com todo tipo de enfeites mágicos. Voar por meio de meditação transcendental, e tornar-se invisível são as mais recentes atrações da sereia do iogue Maharishi Mahesh, que se mudou para o Ocidente há cerca de duas décadas, a fim de tornar as pessoas felizes. Superar a força da gravidade com aviões a jato, helicópteros ou mísseis espaciais já é fato rotineiro, que não impressiona mais ninguém. Mas voar assim de improviso... só com a força mental...na verdade a proeza não é tão fácil assim; e se algum propagandista da seita afirmar que, com o decorrer do tempo, os praticantes da meditação transcendental podem incrementar seus poderes a ponto de poder voar, tornar-se invisíveis ou atravessar paredes, isto é Charlatanismo e não adianta seu colega afirmar que a preparação exige apenas de um ano a um ano e meio, que passa voando para quem está sentado na rua praticando sua meditação; promessas deste tipo são pura e simples Vigarice. O vôo mágico dos curandeiros e também dos autênticos iogues hindus ou tibetanos é bem diferente em aparência e essência. Além de estudar durante anos as técnicas de êxtase e praticar rigorosos exercícios de autocontemplação interior, o curandeiro precisa se esforçar incessantemente pelo próprio aperfeiçoamento Espiritual e Moral. Corresponde à visão materialista-consumista da nossa época achar que é possível adquirir tais poderes mágicos em cursos de treinamento pagos. Isto já não é mais ingenuidade infantil, é rematada tolice. E é em crenças tolas como esta que se baseia o iogue anteriormente citado; com seus agenciadores, ele montou um empreendimento muito bem organizado e altamente lucrativo. A árvore do curandeiro representa, por assim dizer, o eixo do mundo; uma árvore cósmica. Na opinião de muitos povos, a doença é resultado de perda da alma, em seu vôo mágico, o curandeiro traz de volta as almas extraviadas. Só que estas viagens são sempre experiências extáticas e não vôos reais. Quando o curandeiro torna a descer de sua árvore, na maioria das vezes ele cai num estado de total prostração. A alma se separa do corpo. Poi é esta ou o corpo astral, conforme é chamado Tantra-ioga, e não corpo físico, que empreende o vôo mágico. Nos povos insulares da Oceania , o vôo mágico não começa com a ascensão da árvore dos curandeiros, mas a partir de um barco, sobre o qual o curandeiro se deixa levar para o alto-mar. Em outros povos, ele escala íngremes rochedos ou altas montanhas. A capacidade mágica de se alçar nos ares e voar tem se conservado na tradição das ciências ocultas através dos tempos. Citemos apenas a crença em bruxas, que de modo algum se manteve restrita à Idade Média. A origem desta noção, vinda de épocas arcaicas, encontra explicação em muitos mitos relativos à Criação e em sagas tribais. Quer se trate de vôo mágico, de uma viagem ao céu, ou posteriormente de viagens espaciais, o padrão arquetípico é a idéia de que em eras longínquas o trânsito entre a Terra e o reino dos espíritos era bem mais fácil. Também a crença de que as pessoas possuíam asas reais, como anjos, é encontrada em mitologia. Portanto o vôo mágico dos curandeiros, e posteriormente dos mágicos, feiticeiros e bruxas, não é mais do que a reconstituição de uma capacidade humana outrora comum. Entre os nômades Altai, os Golden e os Iuraques da Sibéria, o curandeiro empreende sua grande viagem a cavalo . Existe uma série de antigas tradições. A noção de que o reino dos espíritos, para onde vão também as almas dos falecidos, se encontra debaixo da terra, reaparece nas religiões dos povos civilizados ocidentais. Os cristãos por sua vez fazem dele o inferno. Mas é também a origem do mito da lendária e jamais encontrada cidade de Agarti, que desempenha papel de destaque na sociedade esotérica secreta do nacional-socialismo, a Sociedade de Tula. recentemente o escritor inglês Tolkin, em seu conhecido livro Senhor do s Anéis, faz renascer o mito de um mundo inferior ao descrever uma terra intermediária. O Fogo Mágico é a terceira técnica básica para obter o grau de curandeiro. Evans-Wentz, pesquisador do Tibete, fala de um calor psíquico, pois ele é provocado unicamente por psiquísmo, mediante exercícios de meditação e visualização, assessorados por uma técnica respiratória especial. Entre os esquimós e entre os nômades das regiões árticas usa-se mergulhar panos em água gelada, até que fiquem rígidos de frio, existem muitos exemplos de técnicas. A provocação do calor mágico está em relação direta com o chamado domínio do calor. Ou seja, a capacidade de andar com pés descalços sobre brasas ardentes, placas de ferro incandescentes ou proezas semelhantes. Os curandeiros entram em comunhão com o espírito do fogo. Como resultado, são capazes de expelir chamas de fogo pela boca e pelas narinas; como resquício disto , ainda encontramos Imitações da arte em Prestidigitadores ou no engolidor de fogo do circo. A produção de calor mágico , no entanto não está restrita ao Extremo Norte ou às regiões frias. Em épocas posteriores, a arte do calor mágico dos curandeiros, passa para os ferreiros e metalúrgicos. O major-domo do reino dos francos, que derrotou os árabes em Tours e em Narbonne, criando para o seu neto, Carlos Magno, as bases de seu império, não se intitulou Charles Martell (pergunta). Carlos, o Martelo! De sua ferraria saiu o Santo Império Romano, o primeiro império europeu. Quando, cerca de doze séculos mais tarde, o sucessor de Lenin adotou o nome de Stalin, ele devia ter tido motivos para isto. Mussolini foi cognominado o Ferreiro de roma. E o Ex-chanceler alemão, Brandt (fogo). Difícil dizer se ele trocou conscientemente o verdadeiro nome da família por aquele apelido. Porém, o novo nome, que faz lembrar magicamente o fogo, foi sem dúvida bem escolhido. Como vemos, o pensamento mágico se conservou desde as eras arcaicas até o presente. Pode ser sentido em quase tudo. É que nós não prestamos muita atenção a isto.
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Vou por onde a arte me levar.
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sábado, 25 de março de 2017
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