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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

O Livro de Ouro das Ciências Ocultas - resumo - Parte 6

A ideia básica é que este super espírito divino e onipresente atua com maior ou menor intensidade em tudo que existe.   Portanto, todas as coisas estariam espiritualmente ligadas e entrelaçadas.   Mais ou menos como se o mundo inteiro estivesse interligado por um gigantesco sistema de TV, por exemplo.    Só que não há fios, canais e telas para o consciente _ ego-pensante, diz o hindu _ , são invisíveis.   As transmissões não se efetuam por meio de ondas eletromagnéticas, mas por vibrações espirituais.   O programa fica no ar ininterruptamente.   Ligado através destes mágicos  canais de informação com os objetos do mundo ambiente, e até com o Cosmo inteiro, o " ego " absorve conhecimentos e desenvolve percepções.   Mas trata-se de conhecimentos subjetivos, pois se referem ao ego pessoal.   Portanto, o oriental não pode ter percepção objetiva do mundo.  O que o hindu chama de percepção é para nós uma sensação psíquica subjetiva, uma experiência espiritual, magicamente relacionada com o pensamento.   Todavia, conforme se depreende dos Vedas, dos Upanishades _ as doutrinas secretas surgidas posteriormente - e depois dos ensinamentos de Buda para os mestres da sabedoria hindu, a pesquisa da natureza, do meio ambiente, dos objetos do não-eu, têm importância secundária.   Primordial para o modelo de sabedoria oriental é o ego e sua relação com Brama.   Este é a alma do mundo ou o espírito universal.   O ego-pensante é a atividade de Atman, a alma individual de cada pessoa.   No entanto, ambas são idênticas.   Visto sob este aspecto, o mundo, até onde o homem o apreende com os sentidos orgânicos, é apenas Maja, (mera aparência).   " Tudo que somos é resultado daquilo que pensamos " : ensina Buda... O ego-pensante desenvolve assim um mundo mental.    Ao nosso ver, no entanto, trata-se de um mundo fictício, um mundo como o que é representado nas imagens do inconsciente da psique humana, mas que não transmite nenhum conhecimento concreto sobre a realidade da vida e dos fenômenos naturais.   Os filósofos gregos, aos quais devemos a invenção da maneira lógica e racional de pensar, não negam de modo algum a existência de potências espirituais superiores.   Mesmo que tenham dado nomes diversos aos seus deuses, também para eles era pressuposto inquestionável que a existência do mundo, e com ele a do homem, só poderia ser explicada pela atuação de um poder superior.   Todavia, o pensamento lógico por eles desenvolvido se diferencia radicalmente do pensamento mágico.   Os filósofos naturalistas gregos não se satisfaziam com a intuição mental acerca do objeto sob observação e a resignada constatação de que seus pensamentos afinal, só eram capazes de lidar com a aparência das coisas.   Isto é, com a forma sob a qual apareciam no consciente.  No entanto, esta é a base para qualquer atividade intelectual, e para adquirir conhecimentos o homem depende da atuação do seu consciente.  O filósofo e matemático inglês Bertrand Russel (1872-1970) abre sua História da Filosofia: Não se trata tanto de conhecer o como, isto é, de que maneira é constituído o mundo, por que determinados acontecimentos se repetem ciclicamente, mas porque isto ocorre..   O pesquisador naturalista grego Pitágoras chegou a seu famoso teorema do triângulo-retângulo.   ...Observe uma criança de 3 anos, que chamusca o dedinho num aquecedor.   Deve ser uma experiência inesperada, já que ela brinca habitualmente junto ao aparelho desligado.   A criança corre para a mãe, reclamando: O malvado do aquecedor me queimou!  Ela projeta a sua sensação de dor para o aquecedor, atribuindo a cauda da dor a alguma atividade deliberada do aparelho.   Portanto, está tendo um tipo de pensamento ainda mágico.   Suponhamos agora que o mesmo acontece com uma criança mais crescida, visitante vinda de uma região cujo clima dispense o uso de aquecedores.   Sua primeira reação mental será a de que é preciso ter cautela ao tocar em objetos desconhecidos.   Instintivamente, também ela atribui ao aquecedor a origem de sua dor, mas não lhe ocorre pensar que ele adquiriu vida e a agrediu espontaneamente.   Há um discernimento crítico, e ela diferencia entre a constituição do objeto que lhe é desconhecido e seu próprio comportamento descuidado.   Como as crianças são curiosas, nossa hóspede investigará a fundo o caso.   Examina o aquecedor com todo o cuidado e verifica que está ligado á rede elétrica.   Ah, é daí que vem o calor que provocou a dor!   Segue-se a conclusão de que tudo que é quente causa dor.   O leitor pode achar que se trata de coisa óbvia.   Mas a única chave que nos permite o acesso às primitivas raízes das ciências ocultas, aos fulgurantes e multicoloridos jardins encantados da magia que dela brotaram, aos escuros labirintos do ocultismo e às misteriosas sendas dos alquimistas é uma autêntica e profunda compreensão do pensamento mágico.   E só mediante um controle constante, consciente e crítico da nossa maneira habitual de pensar, abriremos uma via transitável para a compreensão destes jardins encantados da imaginação humana e destes sombrios labirintos mentais.   Poi esta diferenciação crítica não é tão simples quanto se supõe habitualmente.   ... Os adeptos da parapsicologia são cada vez mais numerosos e entusiastas.   Tudo é inexplorado, inexplicável e assombroso exerce atualmente fascinação incomum.   Enfim, podemos dizer que está surgindo uma nova onda de ocultismo.   Até poucos anos, só se pensava e se planejava com uma inabalável fé no progresso.   Quando o homem pousou pela primeira vez na lua em 1969, os sonhos com o futuro tomaram novo impulso.   Exaltam o progresso- naturalmente apenas o progresso nas ciências naturais e na tecnologia - afirmando que ele garante o crescimento econômico e a prosperidade.   E este maravilhoso progresso era, eu disse era, uma bela prova da força criativa do pensamento lógico e racional.

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