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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

História da Civilização por Roberto Accioli - Origens da Civilização Ocidental - Parte 3


A Civilização Ocidental tem desenvolvimento na Europa, estendendo-se sua influência a diferentes partes do mundo.   A palavra Europa, surgida no século V111 antes de Cristo, designaria, bem mais tarde, o continente que é um prolongamento _ na realidade, uma península _ da Ásia.   Europa e Ásia seriam termos derivados das palavras assírias Ereb e Asu, significando, respectivamente, Ocidente, o lugar onde o sol se põe, e Oriente, o lugar da aurora.   As raízes da Civilização Ocidental estão na Grécia, em Roma e no Cristianismo.   E as fontes das quais elas extraíram sua seiva ficam no Oriente como já vimos.  As duas civilizações _ a grega e a oriental _ constituem mundos que se interpenetram e são inexplicáveis um sem o outro.  No entanto, opõem-se nitidamente até chegarem ao entrechoque violento no duelo entre o império persa e o helenismo.   A linha ancestral grega registra, entre outros povos, áreas pertencentes ao mais antigo tronco indo-europeu, jônios e dórios.   Estabelecidos às margens do mar Egeu, criaram um organização política diferente das de outras sociedades civilizadas.    O imperialismo grego foi sutil e discreto.   Ao invés do domínio pelas armas, os helenos prevaleceram sobre outros povos pelo poderio econômico e pela força de sua cultura.   Internamente o helenismo fez surgir a figura do cidadão, elemento consciente e responsável por um núcleo comunitário avançado para a época: a cidade, autônoma e auto-suficiente.   Nos outros aspectos da formação grega são identificáveis traços de influência do Egito e da Caldéia, principalmente nos elementos de sua ciência, de sua arte e de sua agricultura.   A contribuição intelectual da Grécia, a partir das primeiras eras, foi bastante fecunda.   De início, propiciou o sentido do belo e o culto da beleza.   Os helenos não se contentavam em cinzelar seus monumentos e ritmar seus versos: a preocupação estética embasava toda a sua operosidade.   Nos templos, no cimo das acrópoles ou na perspectiva das colunatas, nos teatros abertos à luz do sol, nas ágoras e cidades, a arquitetura grega resplandece com singular mestria.   Artistas natos, os gregos expressavam em suas criações o que viam e o que imaginavam.   Deram forma, na escultura, à concepção do homem ideal e, ao embelezar o físico, buscavam paralelamente o vigor e a destreza.   Os atletas competiam nos jogos olímpicos, cuja realização de quatro em quatro anos fixava a própria medida do tempo.   Os deuses helênicos não passavam de criaturas à feição dos homens, imortais, mas sujeitos às mesmas fraquezas e paixões humanas.   E neles o mortal comum como se reencontrava.   As lendas sobre os deuses inspiravam escultores, poetas, oradores e dramaturgos.   Na Grécia, a medicina ascendeu o plano superior.   Formularam-se os elementos da geometria, esboçou-se o sistema heliocêntrico, cogitou-se dos eclipses e da circunferência da Terra.   As técnicas, séculos após séculos, aperfeiçoaram-se em diferentes setores.   Tornando efetivo o emprego da moeda criada pelos líbios, os gregos transformaram a economia; e generalizavam o uso do padrão de ouro.   As minas da Cólquida, do Ural, das Índias e da Arábia passaram a alimentar o desenvolvimento comercial.   Os cambistas instalaram-se nas esquinas e tornaram-se banqueiros.   Os helenos descobriram as facilidades do crédito.   E a este título, a sua contribuição não é menos que uma verdadeira revolução.   Da fundação da cidade de Roma à desagregação do Império Romano,  o maior que a antiguidade conheceu, transcorre em milênio.   A civilização romana tem um caráter acentuadamente prático, de alto sentido objetivo e realístico.   Os gregos cultivaram as artes, os esportes, o pensamento e nos  legaram uma requintada cultura.   A arquitetura romana caracterizou-se pela grandiosidade e opulência, mas a sua contribuição mais importante foi a noção de Direito.    Para os romanos, a arte não é um fim em si mesmo, é um meio de acrescer seu conforto, a sua condição individual.    Bons escultores e pintores, eles qualidade maior na arquitetura.   Arcos, abóbadas, cúpulas salientam-se nas suas construções, em que predomina o monumental.   Dedicam-se às mais variadas edificações de finalidades utilitárias.   Sistema rodoviário de vias amplas e pavimentação duradoura, contribui para alicerçar o desenvolvimento econômico.   As estradas, que atravessam colinas e se lançam pelos vales, passam a ser notáveis recursos de penetração militar e de predomínio político.   Os romanos preocupavam-se intensamente coma sistematização do Direito, do governo, do comércio, da atividade financeira e fiscal.   Roma codificou seus costumes a um ponto tal que os vindouros não deixam de se abeberar nos seus fundamentos jurídicos.   A todos os povos submetidos e conquistados, os romanos propiciaram o modelo de uma civilização estruturada, em que se salienta a instituição do Estado.   E para eles não há algo de mais admirável do que eloquência.   A sobrevivência das criações dos gregos e das tradições romanas é assegurada na língua latina, que imprime uma permanência através dos séculos.   O Cristianismo contribui para uma nova e superior condição da espécie humana.   A vinda do Messias, o Salvador da humanidade, prevista e admitida, faz surgir um corpo de doutrina religiosa, que, de movimento dissidente do judaísmo oriental,  a ser propagado entre os pagãos do mundo romano, vem a ter caráter universal.   O Cristianismo contava adeptos em todas as cidades das principais regiões submetidas a Roma.   Jesus de Nazaré dedicou-se a ensinar a necessidade de devotamento ao reino de Deus, de liberdade e de amor, de abnegação espontânea em benefício da humanidade.   Cristo, com os exemplos e a palavra, estabeleceu os fundamentos espirituais da democracia, da liberdade e da civilização.   Através de intenso labor, a igreja se afirma, objetiva e organizada, com suas tradições de unidade herdadas do Império Romano, com suas ordens religiosas de ilustrados monges.   E presta inestimáveis serviços, evita a destruição de remanescentes culturais e converte populações bárbaras.   O Cristianismo, tornado religião do Império, conduz as legiões sob o estandarte que trazia o monograma de Cristo: XP.

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