Calendário 2019
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Vou por onde a arte me levar.
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
Artes Plásticas - Vidro - Por Wladimir Alves de Souza - parte 8
A fabricação do vidro, tal como da cerâmica, foi conhecida desde a alta antiguidade. Atribui-se aos fenícios, mas já os egípcios o conheciam e conseguiram produzir verdadeiras obras-primas, não apenas vidros brancos, mas vidros coloridos e com reflexos metálicos. Foi encontrada no hipogeo ( sepultura enterrada ) de Beni-Hassan uma pintura interessando um vidreiro, soprando vidro com a mesma técnica usada até hoje. O vidro é uma matéria composta de areias especias, combinadas com potassa ou soda em fusão à temperatura superior a 1.000 graus centígrados. Pode-se garantir que era conhecido desde antes de 1400 a.C.. Chegaram até nós inúmeros objetos feitos nessa matéria pelos egípcios. Se os gregos não se destacaram muito na arte do vidreiro, os romanos lhe deram o maior desenvolvimento. Dentre a imensa produção que deixaram, citaremos o famoso vaso Portland, com figuras brancas em relevo sobre o fundo azul, e que remonta ao segundo século de nossa era. Em Bizâncio, o vidro também teve largo emprego. Busca-se o colorido das pedras preciosas e, tal como em Roma, foi usado como elemento de guarnição para janelas. Os árabes foram hábeis vidreiros. São dignas de nota as belas lâmpadas rituais de vidro suspensas no interior das mesquitas. Na Idade Média, o mesmo uso é comprovado desde o V11 século. O gosto pelo vidro, nesse período da História, vai levar os arquitetos a empregá-lo sob a forma do " Vitral ".
Artes plásticas - A Porcelana - Por wladimir Alves de Souza - Parte 7
A partir do sèculo XV1, quando se intensificou o comércio da Europa com o Oriente, a porcelana chinesa vai tomar o lugar das fábricas europeias de cerâmica. A beleza da porcelana, a sua dureza e resistência maior vão marcar a decadência das faianças do continente. Durante muito tempo procurou-se imitar a porcelana, usando terras e misturas diversas. Na frança criou-se uma imitação da porcelana: a " pasta tenra " e as decorações procuravam reproduzir os temas orientais. Mas foi apenas em 1709 que o alemão Bottger conseguiu encontrar, em Saxe, jazidas de caolin, a matéria-prima básica da verdadeira porcelana. O segredo, guardado zelosamente, transpirou e espalhou-se logo por toda a Europa. Deve-se dizer que a porcelana exportada pelos chineses já era da época decadente. Ainda sim, os europeus encomendavam , através da Companhia das Índias orientais, grandes serviços de mesa e peças de decoração como vasos, figuras, animais fantásticos ( dragões ). Os serviços voltavam trazendo o brazão de armas do proprietário. Portugal recebeu muitos serviços de porcelana da China por esse caminho. Por essa razão são muito valiosas as peças chamadas " Companhia das Índias ", tanto em Portugal como no Brasil. Por sua vez os chineses começaram a utilizar formas e decorações europeias nos seus produtos, o que contribuiu para abastardar uma arte já decadente. É a época do que se chamou família verde ou família rosa, às peças da dinastia T'sing em que predominam essas cores. Na Europa, a porcelana tomou, desde então grande impulso pelas fábricas alemãs: Saxe ( em Meissèn ), Dresden, Ludwigsburg, Berlim, austríacas, Viena, França: Sèvres. A Itália, a Espanha e Portugal procuram seguir a moda. Os problemas da coberta, isto é, do verniz aplicado sobre o biscoito, ou seja, a peça acabada em branco, bem como das cores, do ouro, da temperatura dos fornos, foi longamente estudado e aperfeiçoado. Não apenas serviços de mesa, mas objetos de decoração, como jarrões, potiches, relógios, tinteiros, figuras representando personagens do teatro italiano, toda uma produção variada, tudo isso desfrutou, a partir dai, da maior moda. A porcelana acompanha, aliás, a evolução dos estilos da arquitetura e do mobiliário e hoje ainda é usada correntemente, tanto se continua a reproduzir os modelos do passado, como os artistas modernos buscam formas novas, simples, puras, despojadas de decoração.
Artes Plásticas - As artes do fogo - Cerâmica - Por Wladimir Alves de Souza - Parte 6
A palavra cerâmica origina-se do grego " Keramos ", que significa a arte de fazer vasos. Os povos mais antigos a praticaram desde a descoberta do fogo e das maneiras de produzi-lo. No antigo Egito, na Mesopotâmia ( Caldéia, Assíria ), na antiga Pérsia ( hoje Irã ), a cerâmica foi praticada, alcançando em certas épocas altos níveis de técnica e arte. Paredes de tijolos cozidos e esmaltados, na Pérsia, desde o segundo milenário ( 2.000 anos a.C. ), representavam animais fabulosos, e faziam a decoração dos palácios reais. É do Oriente que vai partir muito mais tarde, já na época do Islã, a tradição do azulejo, na Espanha e em Portugal. No Extremo Oriente os chineses descobriram terras especiais, e principalmente a porcelana, como veremos mais adiante. Foi na Grécia, partindo das influências recebidas do Oriente e principalmente da ilha de Creta, que se originou uma escola de cerâmica de extraordinária beleza. A principal fase, chamada geométrica, decora os vasos com elementos lineares, entre os séculos X11 e V111 a. C. A partir deste século a técnica vai se aperfeiçoando e a decoração dos vasos se inspira na obra dos pintores contemporâneos hoje desaparecida. No século V11 a.C. a cidade de Corinto é o grande centro de produção. As peças são pintadas com figuras negras, sobre fundo vermelho, e as obras-primas são do século V1 a. C. A alta qualidade artística mantém-se em Atenas durante o século V a. C., já com figuras vermelhas, sobre fundo negro. A partir do fim do século a qualidade do traço, a beleza das figuras, dos ornamentos, dos animais começa a decair. Os romanos receberam a tradição dos etruscos, grandes ceramistas e produziram exemplares de qualidade, em tom vermelho, com ornatos e figuras em relevo ( cerâmica de Arezzo ). Após a queda do Império Romano nada de importante pode ser notado, até a Idade Média. Verifica-se um ressurgimento extraordinário na Itália, com o Renascimento e os grandes ceramistas do século XV, especialmente os Florentinos Andréa e Lucca della Robbia, que executaram peças com imagens esmaltadas em branco sobre fundo azul. Muitos centros se desenvolveram, como Faenza ( donde a palavra " faiança "), Urbino, Pesaro, Gubbio, entre outros. Durante a Idade Média fabricou-se muito pavimento, em formas diversas, gravados, de diferentes cores. A influência italiana penetrou na França através de Bernard Palissy ( século XV1 ), e as fábricas de Rouen, Moustiers, entre outras. Na Holanda pode citar-se a faiança de Delft, na Alemanha, Nuremberg, na Espanha, as fábricas de Málaga, Manises, Valencia, Lisboa, Porto, de que se tem notícia a partir do século XV. Os árabes trouxeram a ciência do azulejo, forma de revestimento que muito usaram no seu imenso Império desde o século V11. Azulejos de técnicas diversas, alguns com reflexos metálicos. Criaram os " alicatados ", espécie de mosaicos de desenhos geométricos, formando desenhos da maior riqueza. Da tradição árabe, rigorosamente geométrica, como os azulejos de Córdoba, Sevilha, Granada, no sul da Espanha, os povos ibéricos vão transformar os temas, introduzindo elementos decorativos vegetais e animais, usando cores: amarelo, azul, verde, violeta. As composições do século XV1 sofrem a influência italiana. Um notável ceramista que trabalhou em Portugal é um italiano: Francisco Nicoloso, de Pisa, do qual se conhece um painel assinado, hoje no Museu de Amsterdã ( Rijksmuseum ). A arte da azulejaria é , aliás, tipicamente portuguesa e teve grande desenvolvimento entre os séculos XV1 e X1X. O Brasil se beneficiou dos azulejos portugueses, sempre importados, pois aqui nunca foram fabricados na época áurea. Do período colonial restam exemplos magníficos, como na Bahia, no claustro do Convento de São Francisco , o mais importante conjunto em nosso país, em Recife e Olinda, em São Luis, em Belém, no Rio e em muitas outras cidades brasileiras. O azulejo tanto foi empregado em painéis, formando composições, como também elementos isolados, formando desenhos por vezes de grande dimensão como na Igreja de N.S. dos Prazeres de Guararapes (PE). No século XV11 foram usados azulejos com desenhos em azul e amarelo, e no século XV111 apenas azuis. Só no fim desse século se volta a policromia ( mais de duas cores ). Usou-se muito no Brasil o azulejo como revestimento de fachada, no século X1X, São Luis, Alcântara ( Ma ) e Belém ( PA ) são talvez os conjuntos mais importantes na arquitetura civil. A cerâmica é uma arte que foi muito cultivada na América pré-colombiana, especialmente no México e no Peru. Existem no Brasil algumas jazidas de cerâmica, cujos sítios principais são a ilha de Marajó e Santarém, que revelam uma cultura altamente evoluída como comprovam os exemplares conservados no Museu Goeldi de Belém e no Museu Nacional do Rio de Janeiro.
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
Artes Plásticas - Artes Industriais - Ourivesaria - Por Wladimir Alves de Souza - Parte 5 ( pausa )
As nossas igrejas não são muito ricas em objetos de ouro, apesar do que, restaram alfaias, objetos de culto e paramentos de grande suntuosidade, conservados em museus e nas próprias igrejas. A joalheria é uma modalidade da ourivesaria. Destina-se a obras de adorno pessoal, empregando também pedras preciosas ou semipreciosas, associadas ao ouro ou à prata. Um aspecto interessante da ourivesaria é que muitos grandes artistas, especialmente no período da Renascença, começaram seu aprendizado nos ateliês dos ourives. Os grandes escultores da Renascença, como Donatello, Verrocchio, Ghiberti, Cellini ( já citado ), estão nesse caso. E, também, pintores ilustres. Como atividade paralela à ourivesaria, os prateiros também trabalharam em objetos de culto, de adorno ou de utilidade. Mas é a partir de Luiz 14, na França do século 17, que usou a prata em enormes quantidades, pela importação do metal proveniente das minas da América espanhola. O rei possuía uma prataria suntuosíssima: serviços, castiçais, lustres e até mobiliário. Esse tesouro foi fundido para pagar despesas de guerras. Na Inglaterra já há muito tempo se trabalhava a prata, e os ourives usaram suas marcas de fábrica ( contraste ), incluindo a cidade e o ano de fabricação. Os contrastes também eram usados em outros países. Em Portugal essas marcas aparecem frequentemente, mas só os ingleses as usaram metodicamente. D. José 1 encomendou ao maior ourives e prateiro da frança, F. Thomas Germain, uma baixela ( peças para mesa ) constante de mais de mil peças, e que levou muitos anos a ser entregue. É talvez o conjunto mais importante de ourivesaria civil do mundo. Está em Lisboa. Quanto à prata brasileira, muito numerosa, a partir do século 17, num país que não produzia prata, cabe uma rápida explicação. Os navios que vinham do peru, carregados de prata, especialmente em moeda, tocavam nos portos brasileiros e trocavam o seu metal por ouro. Eram os chamados " peruleiros ". Assim é que as igrejas e os homens ricos possuíam grande quantidade de objetos de prata, aqui fabricados, apesar de restrições severas feitas por Portugal, ou importavam de lá peças trabalhadas por prateiros portugueses. O Museu de Arte Sacra de São Paulo possui peças magníficas, dos séculos 17 e 18, e o Mosteiro de São Bento do Rio, muito rico em prataria, possui duas grandes lâmpadas, obras- primas de Mestre Valentim, ourives e escultor carioca do século 18 ( perdoe-me, mas estou com problemas nas minhas teclas em relação aos algarismos romanos ). No século 20 as formas do barroco e do rococó serão simplificadas sob a influência do neoclassicismo e dos prateiros ingleses. Embora se usasse contraste, no Brasil, inúmeras peças não trazem marca. Até o fim do século 19, prateiros e joalheiros usam modelos europeus. Um grande ourives e joalheiro francês, Fabergé, trabalhou para a corte imperial da Rússia, e suas peças, em ouro, prata, esmalte e pedras preciosas estão, em grande número, no tesouro conservado no Museu do Kremlin, onde também se encontram as jóias da Casa Imperial dos Romanof. As casas reais européias, aliás, possuíam tesouros de valor inapreciável: a Schatzkammer de Viena, com o tesouro dos Habsburgos da Áustria, com coroas, cetros, globos, espadas, todas peças de coroação, além de trajes riquíssimos, o tesouro da coroa da Inglaterra, mais recente ( século 17 em diante ), com todas as jóias da monarquia, as jóias da coroa da França, muito desfalcadas durante a Revolução, as da coroa da Espanha e de Portugal, as jóias imperiais do Brasil, com as duas coroas de D. Pedro 1 e D. Pedro 2 e seus complementos e acessórios, hoje conservadas no Museu Imperial de Petrópolis. Talvez o conjunto mais impressionante seja o tesouro dos sultões da Turquia, conservado no Topkapiro dos sultões da Turquia, conservado no Topkapi Serai, antigo palácio dos soberanos em Istambul. É um deslumbramento de diamantes, pérolas, esmeraldas, safiras, rubis, objetos, adereços, único no mundo, principalmente pelo valor intrínseco, mas não tão extraordinário como trabalho artístico. Quanto ás técnicas usadas pelos artistas, são extremamente complexas, desde a fundição, as soldas, o trabalho martelado e cinzelado, bem como a lapidação de pedras preciosas, rústico na antiguidade e hoje perfeitíssimo, pelas técnicas modernas de lapidação. Também mencionaremos apenas a arte das medalhas e das moedas, cuja ciência se chama " numismática ". As moedas gregas, principalmente na época de Alexandre, são peças admiráveis.
Artes Plásticas - Artes Industriais - Ourivesaria - Por Wladimir Alves de Souza - Parte 4
A denominação de indústria ligada às artes significa a destreza manual, o gosto ou capacidade de inventar do artesão na execução de um trabalho de arte. Independente do conceito de produção puramente mecânica feita pela máquina para a fabricação em série. Ourivesaria: Arte essencialmente ligada às elites, pelo caráter precioso e raro das matérias-primas que emprega. Tanto o ouro como a prata, e a partir do século 19, a platina, sempre foram símbolo de poder e de riqueza. O ouro é conhecido pelo homem desde a descoberta dos metais. Os egípcios o conheceram e utilizaram, tanto na ourivesaria de objetos rituais como na douração de sarcófagos e mobiliário do faraó. Todos os povos antigos o conheceram. Poucas peças de ourivesaria nos chegaram, dentre elas obras-primas de perfeição técnica, inclusive as moedas gregas. Muita ourivesaria sacra foi conservada, desde as jóias, ourivesaria dos bizantinos. Na basílica de São Marcos, em Veneza, a famosa " Pala d'oro " peça capital da ourivesaria medieval, com trabalhos de esmalte. Uma das obras mais importantes do Renascimento é o famoso saleiro de ouro feito para francisco 1, rei da França, por Benvenuto Cellini ( século 16 ), que também foi um grande escultor. É celebre a famosa custódia de Belém, que existe em Lisboa, feita por Gil Vicente com o primeiro ouro trazido das Índias por Vasco da Gama, no fim do século 15. As minas na Antiguidade e na Idade Média eram raras e de produção limitada, de modo que só a partir do século 16, com a conquista do México e do Peru, é que os espanhóis puderam dispor dos tesouros dos Astecas e dos Incas, destruindo e fundindo peças admiráveis. Mas foi principalmente a partir do começo do século18, com a descoberta do ouro no Brasil, em Minas Gerais, que o metal correu com abundância incrível. Acrescente-se a isso a descoberta do diamante no Brasil, no Distrito Diamantino em Minas: Diamantina e serro Frio, rigorosamente controlado pelos portugueses , mas que não impediu totalmente o contrabando, tal como se passou com o ouro, isso fez a fortuna de Portugal, especialmente na época de D. João V ( 1699-1750 ), rei perdulário e que gastou quantias fabulosas com a construção do convento de Mafra, em Portugal, com a embaixada especial que mandou ao Papa, riquíssima, com carruagens douradas, chefiada pelo Marquês de Fronteira, levando enorme doação, a fim de obter o título de " Rey Fidelíssimo " e outros privilégios para a igreja de Portugal. Isso entre outras prodigalidades. Porém as minas se foram esgotando e nos meados dos séculos já havia descontentamento e motins na colônia, que tornou a situação cada vez mais difícil, até o final do século 18, quando o ouro brasileiro praticamente terminou.
terça-feira, 2 de agosto de 2016
Artes Plásticas - Gravura - por Wladimir Alves de Souza - Parte 3
Gravura em metal de Durer: A morte, o cavaleiro e o diabo. A gravura em metal pode ser feita a buril ( instrumento bem afiado e de diversas formas ). Nesse caso o buril abre um sulco no metal de acordo com o desenho que se quer imprimir. Há também a gravura " a ácido ", processo mais complicado e que exige longa prática. É chamado, em arte, de " água-forte ". A placa de metal é bem polida de um lado, recoberta de verniz ou cera enfumaçada nas duas faces. Na face polida, o artista grava com uma ponta bem afiada, mais ou menos profundamente. Quando o desenho está terminado, a placa é mergulhada numa solução de ácido nítrico e água e deixada ficar durante o tempo necessário para o ácido atacar a superfície do metal, descoberta pelo desenho gravado. Remove-se o verniz, cobre-se a placa com tinta de impressão, limpando-se a tinta. Esta fica depositada apenas nos sulcos gravados. Leva-se então a placa, junto com o papel, para uma prensa apropriada e a tinta passa para o papel. Os processos de gravura permitem a tiragem de vários exemplares e se tornaram um método de divulgação da obra de arte. A gravura a água-forte é um processo " em cavo " e não " em relevo ", como a madeira. Os artistas introduziram diversas variações na gravura, , como o " talhodoce ", feito diretamente na placa, a " água-tinta ", em que se cobre com o verniz apenas as partes que se quer deixar em branco e diversos outros. Quanto a Litografia, pode-se dizer que é menos um processo de gravura, do que mais propriamente uma forma de desenho que permite reprodução. É um processo recente , que remonta apenas ao século 18 quando o alemão Sennefelder descobriu um tipo de pedra calcária especial, cujas propriedades estudou, pondo em prática um processo especial, desenhando com um lápis gorduroso " Litográfico ", refratário a água. Pode ser feito de desenho a pincel com tinta litográfica diluída em terebintina. Uma vez isto feito, aplica-se uma solução fraca de goma e ácido azótico. Deixa-se secar e remove-se tudo, com água primeiro, e terebintina depois. As partes marcadas com a tinta vão reaparecer depois, passando sobre a pedra molhada um rolo com tinta de impressão, e fazendo-se a impressão com uma prensa especial.
Artes Plásticas - Gravura - Por Wladimir Alves de Souza - Parte 2
Desde os tempos mais remotos, o homem gravou nos materiais mais duros ( osso, pedra ), representando os animais que se propunha caçar, às vezes com senso extraordinário da realidade, como comprovam achados pré-históricos. A representação da figura humana, como, por exemplo, caçadores com lança ou arco e flecha, é sumária, por assim dizer estilizada. Chama-se estilização a maneira pela qual as formas são representadas de modo sumário, sem entrar em detalhes, e tendendo para a simplificação em linhas gerais, ou para a geometria. Os materiais e as técnicas da gravura: Foi da gravura medieval que nasceu a imprensa, como maneira de recortar as letras em relevo, numa peça de madeira, cobri-las com tinta de imprimir e fazendo pressão sobre uma folha de papel. Há três tipos básicos de gravura: a gravura em madeira, também chamada Xilogravura ou Xilografia ( do grego xilos que significa madeira ), a gravura em metal ( cobre, latão, aço ) a gravura em pedra ou litografia ( do grego Lithos ou pedra ). Outros materiais podem ser usados, como o linóleo, por exemplo. A gravura em madeira consiste em trabalhar numa placa, recortando as partes que devem sair brancas na impressão e deixando em relevo as que devem formar o desenho. É a gravura "em relevo ". Para isso, usa-se como ferramenta os formões e as goivas, utensílios também usados pelo escultor em madeira ( entalhador ). Sobre as artes no Extremo Oriente, a importância da gravura japonesa, a partir do século 17, os artistas procediam da maneira seguinte: o desenho era feito a pincel, sobre uma folha de papel de arroz. Uma vez terminado o desenho, o papel era colado sobre a placa de madeira. Vinha então o gravador, que recortava todas as linhas, rebaixando as partes brancas. Removia-se o que sobrou do papel desenhado, ficando todo o desenho em relevo. As gravuras podiam ser coloridas, fazendo-se uma placa para cada cor. As cores são à base de água. Deve-se notar as dificuldades do processo, no qual entram três artistas: o desenhista - criador da obra - o gravador e o impressor.
Artes Plásticas - Desenho - Por Wladimir Alves de Souza - Parte 1
Fundamentalmente, o desenho é a arte de representar as formas, seja pelos traços ou pelas " hachuras ", traços entrecruzados que produzem sombras ou " meios-tons ". Pode ser feito sobre qualquer superfície. Um simples lápis serve para desenhar, e, no fim de contas, todas as artes decorrem do desenho. O material de desenho é simples: tanto pode ser carvão, como lápis de grafite ou de cera colorida, de " sanguínea " ( substância avermelhada ), de " sépia " ( tom acastanhado ), bico de pena, usando tintas de várias cores. Pode ser usado também o giz colorido. Em alguns casos, o artista usa um papel de cor sobre o qual desenha com lápis de duas cores, carvão, sanguínea ou " crayon ", com realces de branco. O desenho é, praticamente, a base de todas as artes. Dele deriva, diretamente, a gravura.
quarta-feira, 27 de julho de 2016
quarta-feira, 20 de julho de 2016
Sexo, drogas e Rolling Stones _ Histórias da banda que se recusa a morrer. Parte 33 ( pausa )
Na verdade, Ron sonhava em ser um Rolling Stone desde que vira a banda em ação no Richmond Jazz and Blues Festival, em 1964. Saiu daquela apresentação prometendo a si mesmo: " Um dia ainda vou tocar nessa banda ". Levaria mais de uma década para transformar o sonho em realidade, depois de receber o convite de Mick Jagger para ser o novo guitarrista da banda, em substituição a Mick Taylor. Em 1974, Wood deu o primeiro, maior e mais importante passo naquela direção, ao acolher Keith Richards em sua casa durante os quatro meses que os dois levaram para gravar no estúdio caseiro de Wood o primeiro álbum solo de Ron, I've Got My Own Album To Do. Mick Jagger também participou das gravações _ ajudou a compor " I Can Feel The Fire " e, de quebra, adicionou vocais de apoio imediatamente reconhecíveis. Ron retribuiu a gentileza e Jagger e ele prepararam juntos a primeira encarnação de " It's Only Rock and Roll ", com palmas e vocais de fundo cortesia de David Bowie. Wood jamais receberia crédito pela ajuda na composição do que se tornaria um clássico, mas, solidificada a amizade e a afinidade musical com Keith _ e Mick _ ao longo da gravação, Ron sabia que integrar a banda dos seus sonhos era uma mera questão de oportunidade e tempo. E, quando o guitarrista Mick Taylor saiu dos Stones, aconteceu _ ainda que a adição de Wood à banda fosse considerada, aquela altura, uma substituição temporária. Ron só relaxaria em 1976, depois de efetivado como membro oficial dos Rolling Stones, banda de onde nunca mais arredou o pé. Músico e pintor, cuja arte pôde ser vista no Brasil tanto nos palcos quanto em galerias ( ele expôs em São Paulo, em 1996 ), recentemente Ron publicou sua autobiografia ( Ronnie, St. Martin's Press, New York, 2007 ). Quem sabe agora a escrita não se torne mais uma de suas paixões... " Nunca mais meu pai me chamou apenas de Ronnie. Virei ' Ronnie Wood, dos Rolling Stones. "
terça-feira, 19 de julho de 2016
Sexo, drogas e Rolling Stones _ Histórias da banda que se recusa a morrer. Parte 32
Em 1964, Wood formou com amigos da região a banda The Thunderbirds _ mais tarde rebatizada apenas de The Birds, por causa de uma banda homônima _ e caiu na estrada, rodando a Inglaterra de um lado para o outro, travando amizade com companheiros de jornada como The Who, The Yardbirds, e uma infinidade de outros que agitavam o cenário roqueiro inglês de meados dos anos 60. A banda, contudo, não foi muito longe, e se desfez em 1966, depois de gravar alguns compactos e aparecer no filme de terror The Deadly Bees ( As abelhas mortais ), lançado no ano seguinte. Para Ron, a essa altura uma figura já conhecida no meio musical britânico, o fim dos Birds representou o início de uma nova etapa. Ele tornou-se baixista do Jeff Beck Group, que também incluía Rod Stewart, e seguiu com eles para os Estados unidos, onde passou longos períodos em turnê. O grupo gravou dois discos seminais, antes que o desgaste e as ambições individuais provocassem sua dissolução. Depois disso, Ron e Rod se juntaram a Ronnie Lane, Ian McLagan e Kenney Jones, remanescentes do Small Faces, encurtaram o nome do grupo para The Faces, e fizeram história como uma das bandas mais ativas e estimadas da Inglaterra até o desmantelamento do grupo, em 1976, provocado, em parte, pela saída de Wood.
Sexo, drogas e Rolling Stones _ Histórias da banda que se recusa a morrer. Parte 31
O desenho foi seu primeiro amor _ e deu a Wood seu primeiro gostinho de sucesso. Ron, que em casa desenhava compulsivamente, chegou a ganhar prêmios no colégio e a ter alguns de seus desenhos exibidos em programas infantis de TV. Mas, à medida que crescia, sentia-se cada vez mais atraído pelo mundo da música. A vida de músico, exemplificada pelos irmãos, sempre em festas e cercados de mulheres bonitas, parecia atraente demais para resistir a seu apelo. E bastou ganhar um violão de art para Ron passar a dividir com a música a paixão que nutria pelo desenho e pela pintura. sempre influenciado pelo gosto de Art, Ron descobriu _ e se encantou por _ Big Bill Broonzy, um dos expoentes do mesmo blues de Chicago que fazia a cabeça de Mick, Keith e Brian. Sem saber disso, Ron já preparava os alicerces para sua carreira como um Rolling Stone.
Sexo, drogas e Rolling Stones _ Histórias da banda que se recusa a morrer. Parte 30
Fingerprint file: Ronald David Wood _ Primeiro de junho de 1947. Músico de cabelo espetado, alma quase gêmea de Keith, Ron Wood começou a tocar guitarra com os Rolling Stones em 1975. Hoje, soma muito mais tempo ao lado de Mick, Keith e charlie do que Brian Jones e Mick Taylor juntos. Ainda assim, até hoje é considerado o " novato " da banda, o irmão caçula e arteiro. O lar dos Wood, em Hillingdon, um bairro predominante rural distante pouco mais de 20 quilômetros de Londres, era um ambiente festivo e rodeado de músicos. A mãe, Mercy, vivia cantarolando e o pai, Arthur, tinha uma banda. Ted e Art, os irmãos mais velhos, também engrossavam o caldo musical familiar. O primeiro tocava numa banda de jazz tradicional, enquanto Art se envolvia com o rhythm and blues. O pequeno Ron adorava aquilo tudo, mas começou a expressar seu talento com lápis e folhas de papel.
Panôgrafia: A cada ser se tem uma estrutura, e para cada estrutura se tem uma razão orquestrada pela vida. Mas para cada ser existe sua particularidade existencial.
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