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quinta-feira, 6 de abril de 2017

O Livro de Ouro das Ciências Ocultas - Parte 17


No Egito Antigo inicia-se a construção das imensas pirâmides que despertam admiração até hoje.   Estamos habituados a ver nas pirâmides o resultado de um gigantesco culto totêmico; porém, esta noção precisa ser revista: não se trata de um culto totêmico, mas de um culto do além, talvez bastante exagerado.   Só que o culto se destinava aos vivos; os conhecimentos criativos são agora extraídos do Cosmo.  No entanto, há seis mil anos apenas o faraó possuía um Ka imortal.   Ele personifica simbolicamente a imortalidade do seu povo.   Era igualmente o faraó que dispunha de uma sabedoria intuitiva e criadora.  E isto é uma sabedoria mágica.    Ainda não se sabe como os egípcios conseguiram construir as pirâmides.   O escritor francês René Alleau escreve: No túmulo do Rei Quéfren, o egiptólogo Moret encontrou um bloco de pedra pesando 470 toneladas.   Estes enormes blocos, dos quais alguns chegavam a medir dez metros de comprimento, eram unidos sem argamassa, com tal precisão que nem com a lâmina de um canivete se pode detectar alguma fresta.   Para a grande obra do Rei Quéops, foi preciso trazer mais de seis milhões de toneladas de material.   Como teria sido possível essa proeza... sem guindastes modernos e sem os possantes veículos de carga da atualidade...  A explicação usual é que uma legião de escravos teria talhado as pedras nas montanhas árabes, arrastando-as por sobre troncos de árvores, que faziam as vezes de rodízios, até o local de construção da pirâmide.   Lá, os blocos eram içados em planos inclinados de areia.  A tese é inconsciente, pois sob o peso de centenas de toneladas, troncos de árvore se desfazem como palha.   E como prender três mil cordas num bloco pesando 470 toneladas... pois seria este o número de escravos necessários para puxar o bloco de pedra.   Aliás, esta repetitiva explicação vendo sendo apresentada há cerca de 2.500 anos.   Seu autor é o grego Heródoto (490-425 a.C), cognominado Pai da História.   Talvez fosse mais acertado ver nas pirâmides não apenas túmulos, mas imensas centrais mágicas e psíquicas de energia.   Mas antes de falar sobre isso, há algumas breves observações sobre o conceito de alma dos antigos egípcios.   Inicialmente somente o faraó possuía um Ka, um corpo espiritual como depositário de poder mental e força vital, isto permite concluir que, como os xamãs primitivos, ele representava o cérebro governante central.   Seus súditos eram uma espécie de apêndices espirituais coletivos do rei-deus, pois ainda não possuíam um consciente próprio muito evoluído.   Todavia, um ou outro indivíduo isolado se destacava dos demais, devido talvez à sua ascendência - legítima ou ilegítima.   O Faraó já delegava parte das suas atribuições a altos sacerdotes e magos.   Estes constituem um grupo de cientistas.  Pois, o termo mago, oriundo do persa, significa exatamente isto: cientista.   Em meados do século três antes de Cristo aparece o conceito de Ba.   Ba é a alma.   É algo incorpóreo, luminoso.   O hieróglifo para representar Ba é uma chaminha estrelada ou simplesmente uma estrela.   Portanto a estrela é uma força ou poder oriundo das estrelas e que retorna ao Cosmo após a morte, como uma ave migrante.   O Cosmo é Ba total, a alma total.   Assim como Cosmo, também Ba é imortal.   Havia também um Ka cósmico, é o Sol, o divino pai do faraó.   Assim como o Sol extraía sua força tonificante da universidade do Cosmo, do Ba-total, também o poder Ka do homem provém de seu Ba, e com isto do Universo.   O hieróglifo para Ka é um braço duplo, símbolo da força criativa, tanto física quanto mental.   Outro símbolo usado para Ka é o touro, o que se enquadra nos conceitos astrológicos, pois no período compreendido entre seis mil e quatro mil anos, o calendário estava na era do signo de touro.   Os antigos egípcios acreditavam que Ba, metade homem-metade falcão, era a alma humana, .   Este símbolo foi largamente utilizado na decoração de túmulos egípcios.   Repentinamente, mais ou menos no ano 2100 antes de Cristo, também os mortais comuns possuíam um Ba, isto é, uma alma imortal.    O faraó não é mais um deus vivo como antes, a personificação do deus-Sol sob figura humana.   Passa a ser agora o filho humano do divino pai Sol.   Tudo isto ocorre simultaneamente com a transição do Antigo para o Médio Reino, com a passagem do equinócio da primavera do signo de Touro para o signo de Áries.   Verifica-se um novo avanço do consciente, e em consequência nova revolução cultural.   Estes acontecimentos são conhecidos por meio de um antigo papiro daquela época.   É o papiro hierático, guardado em Berlim.   Relata o diálogo de um cansado da vida com seu Ba.   Como motivo da sua depressão, o autor menciona a tremenda confusão e as consequências da revolução cultural: aumento da criminalidade, disseminação do terror, roubos e assassinatos.   Deve ter sido uma espécie de revolução socialista.   Os abastados são despojados dos seus bens e os escravos passam ser senhores,.   O que torna este papiro tão interessante, é o fato de que a decifração do texto possibilitou a compreensão das mil sentenças hieroglíficas, assim como dos hinos da pirâmide de Unas, e também textos de pirâmides ainda mais antigos da época do Antigo Reino, pelo menos até onde os textos se referiam a noções sobre alma e mente.   Este papiro forneceu, por assim dizer, o código para a compreensão da antiga cultura egípcia e para o desenvolvimento do consciente dos homens da época.   Lamentavelmente, nem este texto e nem os mais antigos decifrados com sua ajuda contém indicações sobre as práticas mágicas que poderiam esclarecer uma série de detalhes técnicos obscuros ou incompreensíveis.   Todavia, alguns pontos são claros: os egípcios já se diferenciavam do xamanismo, pois faziam distinção entre alma e mente.   O corpo embalsamado do defunto ficava numa sepultura, sob a forma de múmia.   Sem dúvida  os egípcios sabiam que as múmias eram objetos mortos e que não retornavam espontaneamente à vida; e também que a estátua de Ka, que se assemelhava ao morto, era apenas uma efígie.   Mas para assegurar a sobrevivência da substância espiritual do morto, e com isto de sua personalidade, eles imaginaram um truque mágico.   Construíram uma passagem entre a câmara do Ka e a câmara mortuária da múmia; por ela Ba poderia esvoaçar de uma para outra, como um pássaro invisível, a fim de estabelecer e manter a unidade entre corpo e alma rompida pela morte.   Portanto colocava-se também na sepultura alimentos, bebidas e os pertences pessoais do falecido.   O faraó recebia equipamento realmente principesco.   Sua câmara mortuária continha também mobiliário requintado, carros ou barcos, boa quantidade de servos, tesouros.   Estes rituais de culto mágicos não são, aliás, peculiares à antiga civilização egípcia; conforme provam descobertas de muitas sepulturas reais, este tipo de aprovisionamento completo para a vida após a morte era usual também na Ásia Menor, na Pérsia, na antiga China, nas Américas Central e do Sul, assim como antigos germânicos e Celtas.   

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