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sábado, 8 de abril de 2017

O Livro de Ouro das Ciências Ocultas - A Decadência da Magia e a Cisão entre Ciência e Religião - Parte 20

Arte e Ciência - também esta é uma arte - são na Antiguidade assunto dos homens.   Portanto, no mito se entrevê a lenta passagem do matriarcado para o patriarcado, que fortifica à medida que o consciente evolui.   A religião de Elêusis, como religião popular mágico-mística, continua em vigor também após a queda do poderio grego na área do Mediterrâneo e de sua substituição pelo Império Romano, que perdurou até os primeiros séculos da era cristã.   Só desaparece quando o Imperador Constantino eleva o cristianismo a religião oficial.   Também os médicos gregos não renunciaram ao tradicional conceito mágico do mundo; o médico grego Hipócrates estudara a fundo a alma.   Com a arte curativa que ensinava, inicia-se  a pesquisa médica segundo os métodos das ciências naturais.   Porém a medicina praticada tanto por ele mesmo, quanto pela escola de medicina que fundou, era medicina mágica.   Julgavam que o homem como ser vivo só existia devido ao jogo alternado de corpo e alma.   Os adeptos de hipócrates sabiam por experiência própria que a alma era uma realidade.   Portanto na terapia, davam grande importância aos efeitos da alma sobre o corpo.   Para diagnosticar as doenças, recorria-se aos sonhos.   Os templos nos quais se processavam as curas, como o de Epidauro, por exemplo, o mais famoso deles, eram sanatórios.   Após a admissão, o paciente tinha de submeter primeiro a uma purificação ritual e apresentar uma oferenda.   Depois era conduzido a um dormitório provido de uma clina, uma cama de repouso, de onde se originou o termo ainda hoje usado de clínica.   Lá ele devia dormir e sonhar.   Quando o paciente tinha o sono certo, isto é, quando o deus lhe parecia em sonho e tocava a parte do corpo afetada, esta sarava.   Conforme relatam os históricos dos enfermos, os médicos gregos devem ter obtido êxitos espetaculares em suas curas.   Sem a tendência para a autocura pré-programada na psique humana, estes êxitos seriam inexplicáveis.   A alma, constata Hipócrates, está ocupada durante o dia todo com as funções orgânicas.   Mas quando o corpo dorme, a alma sempre alerta tem a possibilidade de informar-se sobre todos os processos do corpo.   Portanto pode detectar as causas das doenças em imagens , as imagens oníricas.   Está então em condições de compreender a mensagem do benéfico deus Asclépio, e desencadeia o processo de cura.   Ao nosso ver, esta explicação é mera superstição.   O deus Asclépio não existe.   No entanto, curas milagrosas deste gênero continuam ocorrendo constantemente, conforme relatos vindos de Lurdes e de outros locais de peregrinação.   É preciso considerar que na Antiguidade as pessoas eram profunda e autenticamente religiosas; praticavam uma religiosidade que perdemos.   A fé cura; nos tempos subsequentes, os autênticos conhecimentos mágicos foram perdidos.   Quando menos de cem anos após, Aristóteles anunciou sua teoria racional, a filosofia se tornou moda entre a elite política da próspera república de Atenas.   Como o cidadão grego, com sua alma racional particular, era superior a todas as demais pessoas dotadas apenas de almas animais orgânicas e nesta categoria se contavam os escravos, os bárbaros e os não gregos.   Que escravos bárbaros e velhas ainda continuassem a acreditar em potências divinas e forças mágicas; para o cidadão da esclarecida Grécia, acreditar na razão era suficiente como sentido de vida.   Isso soa bem, só que nunca passou de teoria.   E foi refutada pelos bárbaros macedônios, sob o comando de Alexandre, o Grande.   Conquistaram a Grécia, pouco se importavam com a opinião de Aristóteles, que aliás também chegou a ser professor de Alexandre por algum tempo, de que possuíam apenas uma alma orgânica, e que ainda eram adeptos da magia.   Para os macedônios, o Rei Alexandre era um deus vivo, cuja força se comunicava a seus soldados.   Em Atenas, Aristóteles é acusado de ateu e precisa se exilar.   A seguir a Grécia se tornou uma colônia romana.   Os romanos se assenhoraram da cultura e da filosofia grega.  A religião  oficial do Estado romano é a continuação da religião grega de Zeus, Zeus vira Júpiter.    Sua esposa Hera passa a ser a divina Juno.   Deméter, a Grande Mãe da Terra, torna-se Ceres, deusa das colheitas.   Dionísio, o deus escondido por trás da máscara, é rebaixado a Baco, deus romano do vinho, representado quase sempre como um bêbado.   Também na Roma antiga a religião oficial perde conteúdo rapidamente e acaba sendo mero culto do presente.   Portanto, já não está em condições de oferecer à massa popular padrões para orientação espiritual.   Os veteranos romanos desprovidos de bens, os escravos sem os benefícios da lei, e as mulheres, segundo o Direito Romano praticamente reduzidas a propriedade do marido.   Não conseguiam encontrar consolo nem amparo espiritual na teoria da razão dos filósofos.   Em consequência, floresceram no Império Romano inúmeras seitas religiosas, todas defendendo ainda um conceito mágico do mundo.   Da mesma forma, havia por todo  lado mágicos, feiticeiros e curandeiras exercendo seu ofício.   As curandeiras, mulheres apelidadas de sábias, conheciam tudo sobre ervas, bagas e raízes, e eram peritas tanto em curar quanto em envenenar.   Mas já em meados do século dois antes de Cristo, os magos caldeus foram banidos de Roma; pelo menos os burocratas do governo baixaram editos neste sentido, por insistência dos sacerdotes.   Pois fazer predições e consultar oráculos com o fim de desvendar o futuro era privilégio da casta sacerdotal e só podia ser feito no templo.    Os sacerdotes reagiam contra qualquer concorrência privada a fim de manter seu monopólio.   Os gregos possuíam um oráculo oficial, o oráculo de Delfos, este não constituía monopólio.   Só que no interior do templo de Delfos não havia um moderno equipamento de processamento de dados, mas apenas uma estaca de mármore, o omfalos, tido como " o umbigo do mundo ".   E ao lado dele não se sentava nenhum mago da informática de jaleco branco, e sim a sacerdotisa pítia; ela ficava sobre um tripé de ouro, colocado sobre uma fenda no solo, de onde emanavam vapores atordoantes, conforme relatam autores antigos.   A pítia mastigava grãos de cevada e folhas de louro, que tem efeito excitante quando consumidas em jejum.   Além disto, ela se encontrava em estado de transe quando respondia às perguntas do oráculo.   Muitas vezes ela sabia as perguntas antes que fossem feitas por meio da clarividência.   O filósofo Plutarco diz das pítias que elas entendiam até mudos, e ouviam palavras não pronunciadas.   As exclamações que elas soltavam , em estado de êxtase profundo, eram consideradas mensagens do deus da luz, Apolo, divino protetor do local do oráculo, que envia suas mensagens através da pítia.   No entanto as declarações eram em regra bastante vagas e ambíguas.   Em troca, no frontispício do templo estavam gravadas as palavras: Gnothi sauton!: Conhecer-te a ti mesmo!   No entanto a recomendação de auto-exame era desprezada com demasiada frequência por governantes e guerreiros em busca de conselhos.   O Imperador Tibério proibiu qualquer predição do futuro, quer pública, quer privada, por meio de entranhas de animais.   Mas, é duvidoso que ele tenha conseguido isto.   Pois para o povo que habitava a atual França na época, a proibição da magia era muito mais revoltante do que o próprio domínio romano; pois seus chefes tribais eram os druídas.   Só o Imperador Augusto tolerou a prática da astrologia, depois de Teógenes, o astrólogo, lhe fazer o horóscopo e predizer sua elevação à dignidade de Imperador.   Durante seu reinado, Augusto mandou cunhar moedas com a efígie de suas estrelas protetoras.   Conforme se vê, oficialmente as artes mágicas eram difamadas.   Mas continuavam a ser praticadas às ocultas.   

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