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sábado, 6 de agosto de 2016

Artes Plásticas - Portugal e Brasil - Por Wladimir Alves de Souza - Parte 16

Como os outros países europeus, Portugal sofreu as influências inglesa e francesa, mas, pelos seus contatos com o Oriente, criou um tipo de mobiliário com incrustações de madrepérola e marfim, com madeiras orientais, principalmente executado em Goa, na Índia: é o chamado estilo indo-português.    E também os estilos acompanham a moda de receber o nome dos soberanos: Dom João V, Dom José 1, Dom João V1, D. Maria 1.    As formas serão derivadas do Barroco e do Rococó, e dos ingleses Chippendale Sheraton, Hipplewithe.     Em Portugal, o rei D. João V manda instalar no convento de Mafra uma riquíssima biblioteca, toda em madeira do Brasil.     Outra biblioteca dessa época, igualmente suntuosa, é a de Coimbra.     Como não podia deixar de ser, esses móveis foram adotados também no Brasil, com modalidades locais apreciáveis.     O mobiliário religioso é rico na matéria ( o nosso jacarandá, o nosso cedro ), e na obra de talha.     As sacristias das igrejas eram mobiliadas ricamente com grandes arcazes de gavetões, para guarda de paramentos, os tronos episcopais, os oratórios, tocheiros, altares e guarnições de culto dão a medida do valor dos artesãos como demonstram a evolução das formas de acordo com as épocas.     O mobiliário civil é simples, para não dizer pobre, embora os ricos burgueses tivessem camas suntuosamente esculpidas, cadeiras, sofás, papeleiras, mesas de centro ( de influência holandesa e espanhola ou de outros estilos ) e, também, ricos oratórios.    Mas a regra é a simplicidade, a sobriedade nos catres de couro cru, nos bancos de madeira e nas mesas de refeições ou de encostar.     O mobiliário Europeu do século X1X segue diversas tendências que caminham para o " ecletismo " ( cópia e mistura dos estilos passados ).     A Revolução Industrial, que teve origem na Inglaterra, por volta de 1780, começa a modificar os conceitos de produção, banalizando os estilos nobres.    No final do século, um precursor dos tempos modernos, William Morris, funda a " Arts and Crafts " ( Confraria de Artes e Ofícios ), tentando buscar formas novas, inspiradas na natureza, e antecipando o estilo " Art Nouveau " já no século XX.    Art Nouveau ou Arte Nova gozou logo de grande voga.     A própria arquitetura deixou-se influenciar por esse movimento estético, de linhas curvas, decoração floral, formas livres, e que durou até por volta de 1925, quando se realizou em Paris a exposição de Artes Decorativas, último estertor desse estilo.    No século XX, o mobiliário do nosso tempo vai nascer dos princípios básicos da arquitetura contemporânea: simplificação das formas, supressão do ornato, uso dos materiais modernos, racionalização.      São, pois, os arquitetos que criaram as formas novas.     Entre 1926 e 1933, Walter Gropius funda na Alemanha uma escola que é , na verdade um centro criador de todas as artes: a Bauhaus.     Então jovens ainda, Gropius, Breuer, Mies van des Rohe também se dedicam ao estudo dos móveis e do equipamento da habitação.    Certas peças do mobiliário criadas naquele tempo conservam até hoje suas qualidades de conforto, sobriedade e beleza, como a cadeira " Barcelona ", criada por Mies van des Rohe ( 1929 ), as cadeiras em tubo cromado  de Breuer ( 1930-31 ), entre outras.    Mais recentemente os italianos criam também mobiliário e equipamento de belas proporções.     Um deles é Gio Ponti, produtor de móveis de série, práticos e agradáveis.     Os países nórdicos ( Suécia, Noruega, Dinamarca, Finlândia ), também se destacam nesse movimento de renovação, bem como os Estados unidos, com as obras do arquiteto Saarinen.      Os materiais modernos são largamente usados: o aço inoxidável e metais não ferrosos, como o alumínio, os materiais plásticos para estofamento, a madeira compensada e moldada, o cristal, a acrílico, entre outros.     Resta muito a descobrir, mas o nosso século já pode considerar que tem no seu mobiliário uma de suas expressões artísticas de maior significação.

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